O dia a dia nas corporações não é nada fácil. São muitos desafios a serem vencidos, tanto de inovação e evolução técnica quanto de relacionamento e desenvolvimento emocional e pessoal.

Se nas últimas décadas do século XX as contratações eram feitas levando em consideração basicamente o Q.I — também conhecido como Quociente de Inteligência ou aptidão intelectual — nas primeiras décadas do século XXI outras habilidades também passaram a ser valorizadas e, até mesmo, requisitadas, durante as contratações e no cotidiano da empresa: a inteligência emocional é um exemplo, também conhecida como Q.E

Neste artigo, vamos entender o que é a inteligência emocional no trabalho, sua importância no dia a dia e conhecer algumas dicas para trabalhá-la constantemente. Vamos lá?

O que é Inteligência Emocional?

Inteligência emocional é um termo da psicologia que vem sendo desenvolvido desde 1966, porém, com aprofundamentos práticos somente a partir de 1990. Basicamente, esse conceito consiste na habilidade de identificar e administrar as próprias emoções, além de compreender as emoções e comportamentos do grupo social que o cerca.

Essa habilidade contribui muito para o desenvolvimento da carreira. Ela é capaz de melhorar os relacionamentos interpessoais, auxiliar no desenvolvimento do autoconhecimento e no aprimoramento das potencialidades próprias, antes desconhecidas.

Os 5 pilares da inteligência emocional

Daniel Goleman, psicólogo, PhD e jornalista do New York Times especialista em Inteligência Emocional, elenca em seu livro, Inteligência Emocional, os 5 pilares da Q.E que devem ser trabalhados constantemente. Veja abaixo.

1. Conhecimento das suas emoções

Se cada estímulo desencadeia uma emoção, nesse primeiro pilar, o autor propõe que identifiquemos e analisemos as emoções e as ações que cada estímulos gera. Essa é a chave inicial da Inteligência emocional.

2. Controle das emoções

Nesse contexto, a palavra controle não deve ser levada para o sentido de controlar propriamente as emoções, visto que isso pode causar ainda mais ansiedade. O intuito, aqui, é entender que situações de estresse e pressão acontecem para todos.

A chave está em aprender a identificar quando a emoção é despertada e saber como lidar com ela, sem agir de maneira precipitada.

3. Automotivação

A automotivação nada mais é que a habilidade de ver o lado bom da coisa ruim. Com essa habilidade, o indivíduo consegue pensar antes de tomar atitudes diante das situações e emoções que são desencadeadas. Ele consegue, mesmo no olho do furacão, olhar para seus objetivos e metas e tentar encontrar caminhos para alcançá-los, mesmo que não seja aquele que está sendo percorrido até então.

Em resumo, trata-se da perseverança e resiliência, fundamentais para o desenvolvimento humano.

4. Empatia

Com certeza você já ouviu essa palavra em diversos livros e séries sobre desenvolvimento pessoal e profissional. Contudo, você entendeu, lá no seu íntimo, o que é ser empático?

A melhor forma de descrever a empatia é como a habilidade de colocar-se no lugar do outro, reconhecer suas emoções e fragilidades, mas, em vez de usar isso em benefícios próprio ou para fragilizar outros, usa-se esse conhecimento para o crescimento mútuo.

Olhar para o outro nos torna mais sensíveis e abertos a novas interações e diálogos e, com isso, aprendemos cada vez mais.

5. Relacionamento interpessoal

Falamos aqui sobre cultivar boas relações, capazes de guiar as emoções próprias e do grupo que o rodeia — isso é um dos pontos-chave para um bom líder. Saber escutar e transmitir informações é indispensável para criar um ambiente positivo, melhorando não só a qualidade de vida, mas também a de todos que estão à sua volta.

Qual a importância do Q.E para o sucesso profissional?

Essa pergunta pode parecer um pouco óbvia, já que descobrimos que a inteligência emocional é capaz de melhorar o desenvolvimento pessoal, os relacionamentos e, até mesmo, a forma como nos posicionamos diante das dificuldades do trabalho e da vida como um todo.

Contudo, a Inteligência Emocional tem um papel importantíssimo dentro das instituições e na carreira dos profissionais como um todo.

Produtividade

O primeiro ponto que se beneficia da inteligência emocional no trabalho e a produtividade. Isso porque impasses e pequenos atritos vão sempre ocorrer dentro de uma empresa, porém, quando a inteligência emocional é desenvolvida, os colaboradores têm mais funções cognitivas capazes de sublimar as diferenças e focar no que realmente importa.

Quem nunca participou de uma reunião difícil e, depois de sair dela, sentiu-se o pior profissional do mundo e simplesmente não ser capaz de produzir com qualidade o resto do dia ou da semana? A inteligência emocional atua especificamente nessa forma de lidar com os problemas. O resultado é um ambiente mais leve, empático e produtivo.

Equilíbrio

Um profissional que consegue manter ações equilibradas têm mais chances de alcançar o sucesso profissional. Isso porque ele desenvolve a habilidade de criar filtros e barreiras entre o que é importante (as metas) e o que são questões a serem minimizadas ou, até mesmo, colocadas para escanteio.

Geralmente, esse perfil encontra ótimas oportunidades em cargos de liderança ou de gestão de equipes

Autoestima e redução da autossabotagem

A autoestima é fundamental para um profissional. É importante que ele se valorize para que consiga se colocar de maneira coerente para os demais colaboradores e gestores. Se você mesmo não acredita no seu potencial, como os outros acreditarão?

Outra questão importante sobre a autoestima e a autoimagem é que a falta delas leva a autossabotagem. Muitos profissionais, ao esbarrarem nas primeiras dificuldades, se não desenvolverem a inteligência emocional, podem se sentir paralisados —não vou fazer mais nada, pois sou um fracasso. Estudar mais para quê? Não sou reconhecido mesmo, nada do que eu faço fica bom.

Essa forma de olhar para si mesmo é uma brasa pronta para minar uma carreira. Por isso, é fundamental que a inteligência emocional seja trabalhada em todos os momentos da vida, seja no âmbito profissional ou privado, no dia a dia e nas relações interpessoais.

Q.I x Q.E: o que é mais importante no ambiente corporativo atual?

No início dos anos 1960 até os anos 1990, as contratações acontenciam a partir da análise do famoso Q.I.. Porém, em meados da década de 1990, estudos concluíram que, tão importante quanto a habilidade de absorver informações técnicas, está a habilidade de lidar com situações adversas no dia a dia e saber se relacionar de maneira positiva para que o profissional alcance o sucesso.

Em seu livro, Inteligência Emocional, Goleman, aponta que nos processos seletivos dos mais altos cargos nos Estados Unidos era feita uma triagem com base no Q.I dos participantes. Porém, passado alguns anos, eram esses mesmos profissionais a serem demitidos problemas de relacionamento com a equipe e falta de liderança.

Com isso, podemos observar que mais do que ser tecnicamente bom no que se faz, para alcançar o sucesso profissional é preciso investir no autocuidado, no autoconhecimento e no equilíbrio emocional para superar as adversidades no ambiente de trabalho e contribuir para um melhor desempenho da organização.

A Inteligência Emocional no trabalho é um dos pontos a serem desenvolvidos pelos profissionais no século XXI. Porém, para se preparar para esse novo mercado de trabalho, é fundamental, também, saber um pouco mais sobre as tecnologias que estão em alta, como a inteligência artificial. Confira nosso artigo sobre o tema e saiba como se preparar para esse cenário!