A era das redes sociais trouxe informação ao alcance das mãos. Cada vez mais pessoas têm acesso a conteúdos, fatos e opiniões com mais agilidade e autonomia. Seria lógico pensar que, com tanto conhecimento circulando, a sociedade conseguisse, finalmente, melhorar seus índices de inteligência.

A realidade não cumpriu com as expectativas. Fato é que a população — e não só no Brasil, mas também nos países mais desenvolvidos do globo — tem seu nível de QI reduzindo ano após ano. Como entender esse fenômeno e o que fazer para tentar freá-lo?

Essa será a discussão desta leitura. Vamos conhecer os números do Brasil e do mundo, entender o que dizem os especialistas e o que pode ser feito para uma mudança de cenário. A bordo?

A realidade do Brasil

Não é novidade que o Brasil enfrenta dificuldades quando o assunto é educação e, mais precisamente, alfabetização.

Segundo dados do IBGE Inteligência realizado em 2018, 29% da população adulta é analfabeta funcional, ou seja, não consegue ler e compreender um cartaz ou bilhete. Já o número de analfabetos absolutos, aqueles que não leem nada, cresceu para 8% (o dobro do registrado no último estudo).

Esses números são resultado, fundamentalmente, do baixo investimento dos governos em educação: o país gasta, em média, U$ 3.800 anuais com cada aluno do ensino básico. Esse valor é menos da metade do investido pelas nações da OCDE.

O cenário tende a se agravar com o corte de 30% anunciado pelo governo, em abril, para as universidades e institutos federais, instituições fundamentais para o desenvolvimento econômico, político e social do país.

Queda do QI: uma realidade global

Seria mais fácil explicar a situação, caso a queda no quoeficiente estivesse acontecendo somente nos países que enfrentam dificuldades, como o Brasil. Porém, os números vão além.

Nações como Dinamarca e Inglaterra apresentaram redução do QI de 2,7 a 3,4 pontos percentuais por década. Na Noruega, Suécia, Finlândia e Portugal, um efeito similar tem sido observado.

Para entender melhor o cenário, precisamos dar um passo atrás e conhecer como se mede a inteligência.

Quoeficiente de Inteligência — o famoso QI

O primeiro teste de QI foi desenvolvido por psicólogos franceses, no ano de 1905, com o objetivo de identificar nas crianças algum tipo de deficiência mental. Em 1916, o americano Lewis Terman, da Universidade de Stanford, aprimorou o teste, porém ele apresentou problemas, visto que havia sido desenvolvido para identificar problemas mentais nas crianças, e não medir o nível de inteligência nos adultos.

Em 1955, o psicólogo David Wechsler começou do zero e desenvolveu um novo exame que, mais tarde, tornou-se o teste de QI mais aceito pela comunidade acadêmica.

O teste é formado por uma série de perguntas que avaliam 15 tipos de capacidade individual. A média das pessoas alcança de 90 a 110 pontos, de um máximo de 160. A partir de 130 pontos, a pessoa já é enquadrada na categoria mais alta de inteligência.

Contudo, é preciso entender que o exame não é capaz de medir o nível de sucesso do indivíduo, muito menos o seu valor. Seu objetivo é medir a cognição básica, ou seja, a capacidade de realizar operações que são a base de todas as outras.

Efeito Flynn reverso

Durante o século XX, foi observado um crescimento em nível mundial do QI nos indivíduos. Isso se deu, especialmente, pela melhora nas condições de vida da população: mais saúde e melhor nutrição e educação culminam em melhores resultados em qualquer teste de inteligência.

Porém, nos últimos anos, os pesquisadores observaram uma retração nesses números, o que chamaram de Efeito Flynn reverso. Mas por que isso tem acontecido? É o que vamos entender a seguir.

Causas da redução do QI

Genética

A ciência já concluiu que a capacidade cognitiva é hereditária (cerca de 50% dela), e as pessoas com as mais altas capacidades têm tido menos filhos. Mas, se essa tese é válida, como explicar que as pessoas têm criado coisas cada vez mais complexas?

Especialização

A resposta talvez esteja na possibilidade de se especializar em uma única profissão, deixando as demais tarefas para outros profissionais ou máquinas. Há pesquisadores que defendem que o salto tecnológico foi responsável por transformar nosso cotidiano e, como consequência, afetar nossa inteligência.

Uso intenso de celulares

Hoje, crianças de 7 e 8 anos já têm acesso ostensivo aos celulares e redes sociais. Nessa idade, elas deveriam estar desenvolvendo o hábito da leitura, o que melhoraria o vocabulário, poder de argumentação e visão de mundo.

Entretanto, os textos lidos e escritos nas redes sociais estão cada vez menores, o que dificulta a formação de frases e comunicação dos indivíduos. Outro dado importante é que o consumo de informação nas redes sociais, que foram projetadas para leituras rápidas, tem trazido mais dificuldade de concentração em conteúdos mais extensos e, com isso, com abordagens mais completas.

Reforço de crenças  

Esse cenário cai como uma luva no fato de que as pessoas, em essência, apresentam o que os psicólogos chamam de viés de comunicação, uma tendência do cérebro humano de absorver e abraçar informações que confirmam e aprovam suas crenças, além de rejeitar dados que as contradizem.

Nas redes sociais, esse viés encontra terreno fértil. Com a monetização das plataformas, os algoritmos descobrem do que a pessoa gosta, pelo que se interessa e com o que interage, fazendo com o que a plataforma entregue somente conteúdos que aumentem o poder de engajamento.

Com isso, as pessoas têm sido bombardeadas não por informações que apresentem dois lados de uma mesma história, mas somente por conteúdos que já dialogam com suas convicções. Além de prejudicar a capacidade de discernimento, essa bolha afeta a capacidade de diálogo e a inteligência cognitiva de quem está sendo exposto.

Informação como chave para mudar esse cenário

A leitura e a escrita são as chaves mestras para descortinar o lado intelectual do ser humano. Estar atento ao que acontece no mundo, tendo como base veículos comprometidos com a visão clara e imparcial da realidade, é fundamental para evitar o declínio da inteligência e melhorar a capacidade de leitura da realidade.

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