A internet rompeu com as fronteiras e deixou as notícias a um clique de distância. Nunca foi tão fácil saber, do Brasil, o que acontece em uma ilha remota na Ásia ou nos mais longínquos cantos desse planeta, em tempo real. 

Contudo, o que poderia ser entendido com um avanço para o desenvolvimento humano tem mostrado outra face não tão gloriosa: a disseminação de notícias falsas, a famosa fake news no Brasil. Bem-vindos, então, à era da pós-verdade. 

Mas, afinal, como saber se uma notícia é verdadeira ou falsa? Neste post, vamos falar sobre o poder de alcance das fake news, como elas afetam não só a política, mas também a saúde e a relação interpessoal. Por fim, daremos algumas dicas de como verificar a autenticidade da notícia.

Puxe a cadeira, sente-se confortavelmente, que a nossa conversa vai ser produtiva! 

O que é fake news? 

Em linhas gerais, fake news — do inglês, notícia falsa — nada mais é que notícias inverídicas publicadas sob a roupagem de uma reportagem ou conteúdo jornalístico autêntico, ou seja, como se fossem informações reais. Têm por objetivo, na maioria das vezes, legitimar um ponto de vista ou ainda prejudicar a imagem de figuras públicas. 

Em sua forma escrita, as notícias falsas apresentam exageros e sensacionalismos, com uma redação carregada de emoção e dados que causem impacto/revolta no leitor. Os dados apresentados, muitas vezes, são maquiados ou manipulados.

Esse tipo de conteúdo atrai a atenção e potencializa a chance de viralização: estudos apontaram que as páginas de notícias falsas tiveram um engajamento cinco vezes maior que as de jornalismo nas redes sociais. 

Crescimento da fake news no Brasil

Desde 2017, o termo se popularizou em todo o mundo, sendo considerada pelo Dicionário de Oxford como a palavra do ano. Embora seja mais efetiva na população de menor escolaridade, as notícias falsas também chegam com tudo nas classes mais intelectualizadas, principalmente quando apresentam um viés político. 

Em pesquisa feita pela Opinion Box para entender a relação do brasileiro com a fake news, 65% dos entrevistados afirmaram que sabem o que são fake news. Por outro lado, 18% apontaram que já ouviram o termo, mas não sabem o que significa.

Os números chamam mais atenção quando 37% alegam já ter compartilhado uma notícia e depois descobriram que era conteúdo falso. 57% declararam que apagaram a publicação e somente 29% desmentiram publicamente o conteúdo compartilhado.

Fortalecimento das crenças 

Nessa altura, você pode estar se perguntando: como é que notícias falsas podem se espalhar com tanta rapidez e ainda “seduzir” até mesmo os mais intelectualizados? A resposta está na psicologia, mais especificamente no reforço de crenças. Todo ser humano tende a considerar os fatos que corroboram para o fortalecimento de suas verdades.

Se uma pessoa já tem uma desconfiança sobre a fabricação de vacinas no Brasil, ao invés de dedicar-se a estudar e compreender como se dá esse processo, ao ser impactado por uma manchete com apelo emocional sobre “o risco das vacinas”, ele já se apega à informação e a considera como verdadeira.

É nesse momento que temos o efeito social da fake news: o número de crianças vacinadas cai a cada ano, doenças antes erradicadas voltam a circular, ou atitudes de justiçamento, linchamento e violência generalizada.

Como identificar uma fake news?

Diante da enxurrada de conteúdos que circulam nas redes sociais e WhatsApp, a dificuldade é cada vez maior para saber se a notícia é fato ou fake. Isso tudo num espaço onde cada pessoa, ao compartilhar uma informação, pode atingir em média 100 outras, considerando sua lista de contatos nas redes sociais. No final do dia, verdade ou mentira, a notícia já se alastrou exponencialmente. 

O cenário fica ainda mais nebuloso quando constatamos que, uma vez enganados pelas notícias tendenciosas e/ou falsas, muitas pessoas trazem seus reflexos para o dia a dia ao adotar discursos ou tomar atitudes por vezes prejudiciais. 

Para não compartilhar notícias falsas, é muito importante estar atento a alguns detalhes. Confira 5 passos que devem ser considerados ao ler uma notícia.

1. Não fique somente na manchete

Em notícias falsas, é comum que o título nem sequer tenha relação com as informações trazidas no texto ou ainda apresentem dados manipulados. Por isso, é fundamental que, antes de publicar ou compartilhar, você faça a leitura completa do material. Afinal, o título é uma síntese que, por sua vez, não consegue transmitir todo o contexto de uma notícia. Fique de olho! 

2. Preze por conteúdos com informações claras e objetivas 

A imprensa profissional sempre trabalha para responder perguntas importantes de quem está lendo, além de apresentar detalhes sobre o fato noticiado. Por isso, informações genéricas, sem a indicação de envolvidos ou local do acontecimento, não são tão confiáveis. 

3. Cheque a data de publicação do conteúdo 

Na internet, tudo acontece muito rápido, inclusive a volta de matérias que foram publicadas há muito tempo. 

Quem não se lembra do problema enfrentado pelo MEC em 2012, quando uma notícia originalmente publicada em 2009, sobre o cancelamento do exame naquele ano, voltou à tona três anos depois, causando desespero entre os candidatos. Foi preciso que o MEC fizesse uma coletiva para desmentir o cancelamento do exame. 

Para evitar o transtorno, antes de compartilhar qualquer notícia, cheque a data oficial de publicação.  

4. Não acredite prontamente em imagens, vídeos, fotos e áudios

Esse tipo de material pode ser facilmente manipulado, com edições e descontextualização. Desconfie de conteúdos que apresentem imagens surreais ou que pareçam inacreditáveis. Use o bom senso para avaliar o que pode ser real e o que não passa de manipulação.

5. Cheque a informação em veículos profissionais

Se a notícia é relevante, certamente já foi publicada por veículos de imprensa profissional e de grande renome. Ao se deparar com uma notícia estrondosa, busque alguma reportagem sobre o assunto em outros veículos de imprensa e confira se há apuração. Jornalismo de responsabilidade tem como obrigação ouvir e incluir em sua redação os dois lados da situação contada. 

Com a Plataforma de Revistas Digitais, você tem acesso aos maiores veículos da imprensa profissional no tablet, desktop ou celular. Assim, fica bem mais fácil checar as informações e não cair nas notícias falsas.

Longe de ser um problema somente do Brasil, as fake news, nos últimos dois anos, geraram impactos importantes em todo o globo, das eleições americanas à saída do Reino Unido da União Europeia. Em terras tupiniquins, elas foram muito além do viés político, chegaram à saúde pública — como a volta dos movimentos antivacinas — , à nutrição — alimento x ou y que combate o câncer, a hipertensão, o diabetes etc. —, e até mesmo ao comportamento — um aumento estrondoso da homofobia, xenofobia e legitimação da violência

Por isso, é fundamental que o leitor esteja atento ao que compartilha com sua rede de contatos, para não fazer parte dessa roda de fake news no Brasil que, em vez de melhorar a relação com a notícia, acaba trazendo prejuízos em várias esferas da vida pública. 

Gostou das nossas dicas? Ajude seus amigos a também evitar o compartilhamento de fake news. Compartilhe com eles estes passos e garanta uma rede livre de conteúdos sem confiabilidade. Juntos podemos fazer a internet muito melhor!