Se o dinheiro faz parte do nosso dia a dia, é fundamental que saibamos lidar com ele de forma positiva, controlada e consciente. Isso é o que chamamos de educação financeira. E nada melhor do que começar a aplicar essas noções durante a infância, para que as boas escolhas financeiras tornem-se um hábito de vida.

Contudo, quando falamos de educação financeira infantil, é comum observar algumas inseguranças por parte dos pais: como abordar o tema? A partir de qual idade devemos tocar no assunto? Não seria uma “adultização” falar de educação financeira com uma criança?

Neste artigo vamos entender a importância de promover a educação financeira infantil, além de ver  um passo a passo prático de como trabalhar a questão em cada fase de desenvolvimento da criança. Boa leitura!

Por que investir na educação financeira infantil

Segundo dados da Serasa Experian, nem mesmo a crise econômica e política vivenciada pelo país teve impacto na nota financeira dos brasileiros. De 0 a 10, a nota média em 2017 foi a mesma do índice anterior: 6.2.

Ou seja, o Brasil ainda é um país que pouco ou nada investe em educação financeira, seja nas escolas, seja nas próprias famílias. A consequência é o descontrole, que gera inadimplência (ainda segundo a Serasa, em novembro de 2018, eram 64,2 milhões de consumidores inadimplentes) e falta de planejamento de futuro.

Dinheiro não é assunto somente para adultos

Pensar que dinheiro é “coisa de adulto” é um dos erros crassos de alguns pais. Muitas vezes, esse pensamento nasce da vontade de poupar a criança de preocupações, entretanto, falar de finanças deve ser tão natural quanto falar de saúde ou da importância de ler e estudar.

Essa atitude é responsável por abrir espaços para que a criança possa desenvolver uma relação mais responsável e segura com o dinheiro, minimizando as chances de más escolhas que podem gerar desorganização na situação financeira futura.

Passo a passo para abordar o assunto educação financeira com crianças

É importante que o tema seja abordado levando a faixa etária em consideração, além de sempre desenvolver a noção que existem diferenças nos papéis e nas responsabilidades de adultos e crianças.

Crianças menores que ainda não sabem efetivamente contar, podem entender a simbologia por trás do dinheiro, compreendendo a importância do consumo consciente. Já as maiores podem ser ensinadas mais objetivamente sobre o ganho do dinheiro, gastos e planejamento.

Confira  os melhores métodos para trabalhar o tema educação financeira infantil em cada faixa etária.

Entre 3 e 5 anos: conhecimento lúdico

Embora as crianças ainda não dominem a matemática, são capazes de entender que o dinheiro (notas e moedas) representa uma quantia que permite fazer compras.

Nessa idade, o aprendizado lúdico é muito forte e deve ser utilizado para a explicação dos primeiros conceitos de educação financeira. Por exemplo, que tal dar à criança um cofrinho para que ela faça suas primeiras economias?

Outra estratégia é investir em joguinhos que envolvam o papel social de comprar. Você pode criar uma moeda imaginária (papéis coloridos, varetas ou mesmo pedrinhas de diferentes tamanhos) para que a criança trabalhe a relação recursos x consumo.

Em resumo, o ideal, nessa faixa etária, é que por meio de ações lúdicas a criança seja estimulada a absorver as primeiras noções sobre consumir e poupar.

Entre 6 e 10 anos: criatividade no dia a dia

Na segunda infância, a criança já tem uma bagagem maior de conhecimentos matemáticos, sabendo, inclusive, fazer contas mais simples. Além disso, é uma faixa etária em que a imaginação (e a energia) está a todo vapor.

Por isso, o ideal é manter a estratégia do cofrinho, para que a criança siga no conceito de poupança, e introduzir algumas ações criativas para conquistar o próprio dinheiro. Uma boa solução é propor algumas tarefas extras — diferentes daquelas que já são de obrigação, como arrumar a cama, ajudar na limpeza da cozinha etc. — para que ela possa ser “remunerada”.

Gosta de pintura? Que tal desenhar e pintar um quadro para leiloarmos no almoço da família? Toca algum instrumento? Podemos propor um mini-show para amigos/família. Gosta de cozinhar? Que tal fazer uma torta para vender na feirinha do bairro?

Os pais também podem delimitar alguns produtos ou mimos que a criança deseja e podem ser comprados com o dinheiro que elas conseguirem guardar: a pipoca do cinema, o doce no final de semana, aquele brinquedo que ela tanto deseja (se for mais do que a criança pode juntar, ofereça uma parte e deixe que ela pague a outra).

Essas podem ser estratégias importantes para que o pequeno aprenda sobre a importância do dinheiro e as formas de conquistá-lo. Essa noção contribui para a valorização dos recursos financeiros, bem como para as noções de consumo consciente x desperdício e a importância de guardar para conquistar aquilo que se deseja.

Acima de 11 anos: diálogo, aprimoramento e exemplos

Chegamos na pré-adolescência. O diálogo nessa faixa etária pode ser um pouco complicado, por isso uma excelente maneira de fazer o seu filho se interessar e aprender sobre educação financeira é dando o exemplo.

De nada adianta dizer à criança que ela precisa valorizar o dinheiro e ter um comportamento consciente no consumo, se em casa os pais não praticam a mesma regra no dia a dia. Durante essa fase, em que as crianças começam a questionar mais e mais o que lhes é ensinado, aprender pelo exemplo é o melhor método.

Além disso, os pais também podem aumentar suas responsabilidades financeiras. Se estiver dentro da realidade orçamentária da família, uma boa estratégia é a mesada mensal ou semanal. Com esse dinheiro, a criança será responsável pelo seu lanche da escola (com a supervisão dos pais para garantir uma alimentação balanceada e saudável). Com isso, ela será estimulada a fazer as melhores escolhas, tendo como guia o dinheiro disponível e seus desejos.

O estímulo à poupança e aos investimentos também pode ser aprofundado nesse momento. É importante ensinar a guardar para fazer aquela viagem ou comprar aquele presente mais caro. Também é hora de mostrar como escolher entre duas opções e lidar com a escassez de recursos. Se chegou um momento em que o dinheiro acabou, é preciso ponderar e pensar onde aconteceu o “deslize” e não reabastecer o cofrinho antes do período combinado.

A leitura se mostra uma excelente forma de aprendizado. Revistas digitais especializadas sobre economia e finanças — como a IstoÉ Dinheiro — podem ser ótimas fontes de conhecimento e desenvolvimento do pensamento financeiro organizado. No aplicativo GoRead você pode fazer uma leitura em família com os pré-adolescentes como forma de introduzir novos conceitos, se  aprofundar em outros e ainda aumentar o tempo que passam juntos.

A educação financeira infantil deve ser um tema presente no dia a dia de pais e educadores. O Brasil ainda é um país em que pouco se fala sobre o assunto, ficando a questão financeira a cargo somente dos adultos. Falar sobre dinheiro com os pequenos não pode mais ser um tabu, mas sim uma oportunidade de educá-los para um futuro mais organizado, saudável e harmônico, praticando formas conscientes de consumo.

E você, pratica a educação financeira infantil? Tem outras estratégias para trabalhar o tema? Conte-nos suas experiências ou dúvidas nos comentários!